As comunidades do apóstolo São Paulo foram apresentadas pelo padre Antônio José de Almeida como inspiração para as comunidades cristãs de hoje. O teólogo participou da mesa-redonda desta manhã no Seminário organizado pela CNBB, em Santa Fé, São Paulo. “A grande contribuição de Paulo para o cristianismo primitivo foi o desenvolvimento coerente e peculiar da fé cristã como um projeto universalista. O universalismo supõe ruptura com toda identidade étnica: para tornar-se cristão, não é preciso tornar-se antes judeu”, afirmou o teólogo.

Segundo disse, a estratégia de Paulo era promover “um cristianismo sedentário, baseado em comunidades locais, que dispunham de diversos ministérios próprios, de modo a não depender dos missionários de passagem”. “Paulo faz da casa a estrutura-base das Igrejas domésticas”. Ele recordou que o cristianismo foi se firmando e afirmando socialmente “não num espaço sagrado, mas em comunidades pequenas (30-40 pessoas) e em relação estreita com a estrutura social básica, que era a casa”.

Padre Almeida lembrou que as comunidades cristãs fundadas por Paulo tinham como características básicas “o caráter voluntário, de modo que qualquer um podia participar; a base doméstica, o que proporcionava relações interpessoais e um embasamento sobre uma estrutura social muito sólida; a aspiração a uma fraternidade universal”.

Ele também reafirmou a identidade da Igreja a partir da experiência de vida comunitária. “Uma Igreja sólida como instituição, mas vazia de vida comunitária real, não combina com a inspiração fundamental do Novo Testamento. Porém essas comunidades têm que evitar o exclusivismo e o fechamento em si mesmas”, ponderou.

Padre Almeida destacou algumas características das primeiras comunidades cristãs que devem estar presentes também nas comunidades de hoje. Entre estas características está a necessidade de “aceitar a pluralidade de conformações concretas das comunidades, pluralidade já presente no Novo Testamento e que é uma constante na história da Igreja”.

De acordo com padre Almeida é preciso “valorizar as figuras carismáticas que abracem com convicção e coração a prioridade ‘comunidades’ em nível nacional, regional, diocesano e local, pois dificilmente sem figuras carismáticas se deslancha ou se mantém um projeto de tamanha envergadura”. Insistiu na volta às fontes bíblicas e evangélicas que, “além de ser normativo para a Igreja, é a melhor maneira de se avançar em qualquer empreendimento eclesial e evangelizador”.

Fonte - http://catolicanet.com/?system=news&action=read&id=49531&eid=299

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